ABERTURA-DO-TRECHO

A obra de expansão do sistema de bondes de Santa Teresa tem mais uma etapa concluída – da Praça Odylo Costa Neto até o Largo do França – e, desta vez, a entrega conseguiu ser antecipada em um mês. A partir da segunda quinzena deste mês, eles estarão de volta aos trilhos num percurso de 1,5 km, melhorando o atendimento a turistas e  aos moradores do bairro e do entorno. Segundo a  Secretaria  estadual de Transportes, os trabalhos terão prosseguimento com a ampliação do trecho no sentido Dois Irmãos. O objetivo, diz o órgão, é retomar de forma gradativa o trajeto operado em 2011.

Iniciada em 16 de julho, a obra que levou o bonde até a Praça Odylo Costa Neto custou R$ 9 milhões, sob o contrato do Consórcio Elmo/Azvi.

Para o estudante de engenharia mecânica Paolo Maiolino, de 18 anos, que mora em Santa Teresa desde que nasceu, o bonde era melhor antigamente, quando fazia um trajeto maior, indo até o Silvestre, onde havia uma conexão com o bondinho do Cristo Redentor. Ele ficou surpreso com a agilidade na entrega deste trecho da obra:

— Eu passei todos os dias pela obra e sempre via o pessoal trabalhando. Comparado com o tempo que ficou parado é até excelente.

Há sete anos, um bonde descarrilou no bairro, deixando seis mortos e mais de 50 pessoas feridas. Paolo diz que casos assim não podem mais ocorrer, ainda mais num local que atrai muitos turistas:

— Agora, na baixa temporada, até são menos visitantes. Mas o transporte também é essencial para o morador. Estudo na Zona Sul e o trajeto de bonde é mais rápido do que o de ônibus. E ele me deixa perto do metrô.

Os bondes de Santa Teresa vão do Largo da Carioca, passando pelos Arcos da Lapa e Largo dos Guimarães, até chegar à Travessa Vista Alegre, onde as viagens estão sendo finalizadas atualmente. Mas, em breve, seguirão até o Largo do França. Os intervalos entre os carros variam entre 15 e 20 minutos, e a passagem de ida e volta custa R$ 20. Estudantes uniformizados da rede pública, maiores de 65 anos com CPF e moradores de Santa Teresa cadastrados com a carteira não pagam.

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Mapa do novo trajeto

Wesley Coelho, de 27 anos, que mora em Belo Horizonte, andou no bonde e ficou atento à paisagem:

— A minha primeira impressão como turista é de muita surpresa. No ano passado eu vim ao Rio e peguei o trenzinho do Corcovado. E, hoje, usando esse de Santa Teresa, achei o trajeto muito mais rico em termos de arquitetura, por exemplo. Vale mais a pena. O trajeto é curto por R$ 20 tá um pouco puxado, mas, mesmo assim, eu indicaria a um amigo para fazer esse passeio cultural.

Segundo a Secretaria estadual Transportes, o recurso arrecadado com a passagem é integralmente usado para a manutenção e a melhoria do sistema. Além disso, o órgão explica que “dará prosseguimento à ampliação do percurso”.

Para o motorneiro Ferreira, que há 25 anos guia bondes em Santa Teresa, o serviço é fundamental para manter a vitalidade do bairro:

— O bonde representa tudo para o bairro. Quando ele não tá rodando o bairro fica morto, o comércio não funciona e fica triste esse lugar. Essa obra ajuda muito o morador, porque saindo do Largo do França ele  chega em 20 minutos ao Centro.

A comerciante Simone Campos, de 37 anos, também comemora o avanço das obras:

— Eu estou gostando muito dessa expansão porque o bonde volta a passar bem aqui na frente da minha loja de doces. Antigamente a gente tinha um público bem maior, o bonde passava aqui lotadíssimo, mas, depois do acidente, caiu bastante o movimento.

 Santa Teresa respira arte e cultura, e o artista plástico Zé Andrade, morador do bairro há 40 anos, fala com satisfação da retomada do bonde:— O bonde é a alma desse lugar, uma prova de resistência dentro do sistema de modernização. Acho que a gente tem que comemorar a conclusão desse pequeno trecho e agradecer, pois a felicidade é feita de pequenos pedaços. Obras sempre causam transtornos, mas não há benfeitoria sem sacrifício.

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